Em 2018 o selo Vertigo da DC Comics completou 25 anos. Decidi contar a história do selo através de seus quadrinhos que mais me influenciaram. Preciso começar com o primeiro quadrinho da Vertigo, Monstro do Pântano.

Monstro do Pântano foi criado por Len Wein e pelo saudoso Bernie Wrightson em 1971. Depois de ser cancelado após 10 edições com a saída dos seus criadores, o título voltou a ser publicado em 1982 com o anúncio de um longa metragem a ser dirigido por Wes Craven.

A partir da edição 20, Len Wein, então editor da revista, chamou o britânico Alan Moore, que se destacava em publicações inglesas como a Warrior e a 2000.A.D.

Ao longo do tempo, a DC e a Marvel reinventaram muitas de suas propriedades intelectuais, seja por um genuíno desejo de revitalizar seus personagens, ou mesmo como uma estratégia de marketing para alavancar vendas. Mas nenhuma dessas tentativas se compara ao que Alan Moore fez com o Monstro do Pântano, especialmente as profundas mudanças introduzidas por ele na história “Lição de Anatomia”. Moore basicamente demoliu tudo aquilo que se acreditava ser verdade a respeito da origem do personagem – incluindo a própria natureza do “alter-ego” do Monstro, Alec Holland.

Outro desenvolvimento notável introduzido por Moore seria a relação entre a criatura e a personagem Abigal Arcane – incluindo uma polêmica história em que os dois personagens fazem o que se poderia chamar de “sexo psicodélico”.

Também notável no trabalho de Moore foi a forma peculiar com a qual ele retratou outros personagens do Universo DC como Etrigan, o Homem Florônico, o Espectro e a Liga da Justiça.

Moore foi habilmente auxiliado pelos artistas Stephen R. Bissette e John Totleben, que já colaboravam no título do Monstro do Pântano antes da chegada de Moore, mas que receberam do recém-chegado autor considerável liberdade para contribuir com uma arte em que as emoções e a ação são perfeitamente capturadas com um estilo primitivo e sombrio. Vale ressaltar que, embora conhecido por controlar cada aspecto de suas histórias, Moore também permitiu que seus artistas influenciassem consideravelmente a direção de tramas e personagens. Inclusive, Moore introduziu o hoje lendário mago e trapaceiro John Constantine – que se tornaria uma espécie de guia para o Monstro do Pântano em várias histórias – porque a dupla de artistas desejava desenhar um personagem que se parecesse com o cantor Sting.

No final da fase de Moore, Rick Veitch assumiu a arte do título, e embora ele tivesse um estilo diferente de Bissette e Totleben, a arte manteve-se em ótimo nível.  Moore viu-se livre para fazer quase tudo o que desejava, e aproveitou essa liberdade para expandir ao máximo não apenas os limites do personagem, mas do próprio universo DC. Sob o comando de Moore, a criatura evoluiu de um confuso monstro a uma força elemental da natureza, capaz de se transportar através do espaço e além do reino dos vivos.  

Amantes de quadrinhos e boas histórias que ainda não descobriram o trabalho de Alan Moore em Monstro do Pântano estão perdendo um trabalho seminal, sem o qual não existiria o selo Vertigo e todas as grandes obras publicadas por esse selo.